Caso do homicídio de pastor pode ir até o STJ VENÂNCIO > ASSASSINATO ATRIBUíDO A PAI DE SANTO COMPLETA UM ANO DOMINGO. DEFESA LUTA CONTRA REALIZAÇÃO DE JÚRI

Caso do homicídio de pastor pode ir até o STJ
VENÂNCIO > ASSASSINATO ATRIBUíDO A PAI DE SANTO COMPLETA UM ANO DOMINGO. DEFESA LUTA CONTRA REALIZAÇÃO DE JÚRI

fotos: banco de imagens

Pastor Francisco de Miranda

Ricardo Düren
ricardo@gazetadosul.com.br



O assassinato de um pastor evangélico em Venâncio Aires, crime que completa um ano neste domingo, está gerando uma disputa judicial que poderá chegar até o Superior Tribunal de Justiça (STJ), de Brasília. A defesa do pai de santo apontado como autor do homicídio pede a absolvição sumária do réu e luta contra a realização de julgamento. Por enquanto, o caso está nas mãos dos desembargadores.

Fundador da Igreja Ministério de Fogo para as Nações, o pastor Francisco de Paula Cunha de Miranda, 47 anos, foi encontrado morto a facadas na noite de 20 de dezembro de 2008 na Rua Conde D’eu, Bairro Aviação. O corpo estava nas proximidades do terreiro onde Júlio César Bonato, 40, comandava uma uma sessão de Quimbanda. Testemunhas presentes no ritual dizem que o pai de santo saiu do terreiro, em direção ao pastor, após Miranda citar palavras contra os frequentadores, tais como “fora satanás”.

A princípio, ninguém viu o que houve depois. O próprio Bonato afirma não lembrar dos fatos daquela noite, pois estaria “incorporado” pelo Exu Caveira, entidade da religião afro. Em entrevista à Gazeta do Sul, em janeiro deste ano, Bonato ressaltou não saber o que houve das 20h20 de 20 de dezembro até 2h30 da madrugada seguinte, período da incorporação. Sob a ótica da Quimbanda, destacou não acreditar que um exu, ocupando o corpo de um pai de santo, mataria uma pessoa.

Após as oitivas e considerações finais, a Justiça de Venâncio Aires pronunciou Bonato, ou seja, encaminhou o caso a júri popular. Segundo o promotor Júlio César de Melo, o relato das testemunhas é a principal prova contra o pai de santo. “Os indícios da autoria são mais do que suficientes. Mostra disso é a decisão do juiz em mandar o réu a julgamento. O próprio Bonato não nega o crime, apenas diz não lembrar de nada”, comenta. Melo aposta na realização do júri em 2010 e também adianta que não pretende suscitar, em plenário, debates religiosos em torno da questão.



RECURSO

A decisão sobre a realização de júri depende agora dos desembargadores, pois os advogados recorreram da pronúncia. Líder da equipe de defesa de Bonato, o criminalista Marco Mejìa – que atua com os advogados Rodrigo Torres, Alexandre Maziero e Alexandre Meneghini Ramos – quer a absolvição sumária do pai de santo e diz que o autor do crime é alguém não identificado. “As provas técnicas mostram a inocência de Bonato. Por exemplo, não foi encontrado sangue humano nas facas apreendidas na casa dele, tampouco rastros de sangue entre o cadáver da vítima e o terreiro”, argumenta.

Mejìa supõe que o pastor tinha inimigos, possivelmente devido a provocações anteriores, semelhantes às realizadas defronte do terreiro de Bonato (fato negado pela família da vítima). “O crime teve cunho religioso, mas não está ligado ao meu cliente”, afirma Mejìa. O advogado ressalta que, em caso de derrota no Tribunal de Justiça de Porto Alegre, pretende levar o caso aos ministros do STJ, em Brasília. Também adianta que, em caso de júri, não pretende abordar a questão religiosa – a menos que o assunto entre em pauta por parte do promotor.

Fonte: http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=125203&intIdEdicao=1967

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