O pastor zeloso vai atrás da única ovelha que se perdeu do rebanho



PRINCÍPIOS DE LIDERANÇA
O pastor zeloso vai atrás da única ovelha que se perdeu do rebanho

Por: Jonas A. de Santana

Lucas 15:4-7
“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E, achando-a, a põe sobre seus ombros, cheio de júbilo; e, chegando à sua casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”
Um pastor tem 100 ovelhas e uma delas se afasta do rebanho ou do grupo e se perde. Mas o pastor, zeloso e cuidadoso abriga as demais num lugar seguro e sai à procura daquela “umazinha” que se perdeu, afinal ela também é uma ovelha, não é um bode, ou um lobo. É uma ovelha. Finalmente depois de tanto procurar achou-a, e como diz a velha canção, gemendo, tremendo de frio, usou o seu cajado e não a sua vara e resgatou-a, trouxe-a de volta, colocou unguento em suas feridas, deu-lhe de comer, colocou-a junto a todas as outras, não a separou, nem a humilhou, nem usou da vara, muito pelo contrário, promoveu uma grande festa, chamou os seus amigos e vizinhos e celebrou junto com eles, pois a ovelha que se perdeu foi achada e agora as 100 ovelhas estão juntas novamente! Quanta alegria por haver encontrado a ovelha perdida!
Veja bem. Não era uma ovelha rebelde, pecadora e desobediente. Ela se afastou do grupo por algum motivo, talvez, movida pela curiosidade saiu a ver alguma coisa que lhe chamou a atenção. Quem sabe um espinho entrou em sua patinha e fez com que ela ficasse para trás e o pastor não se apercebeu da situação. Depois que se afastou do grupo caiu em algum buraco, e isso poderia ter acontecido a qualquer ovelha. Mas, o pastor notou que ela estava perdida e foi ao seu encontro e quando achou fez uma grande festa.
Jesus usou este exemplo para dizer que da mesma maneira como o pastor ficou alegre por encontrar sua ovelha e fez festa, assim também lá no céu, da mesma forma, do mesmo jeito, fazem festa por um pecador que se arrepende.
Estive analisando esta parábola do ponto de vista de um pastor, de um líder, e fiquei chocado como a maioria de nós pastores reage a uma situação como essa. Consideramos logo que toda ovelha que se perde é pecadora, que está desviada, em rebelião, em desobediência e a deixamos para trás, afinal existem outras 99 que estão juntas e não saem da “comunhão”, não abandonam o pastor, e estas 99 gerarão outras ovelhas; logo haverá um aumento, talvez, de 50%. Então, não faz falta alguma a ovelha que se perdeu! Como reagem os pastores? Dizem: Não percamos tempo, vamos investir nas 99.
Pensando assim, o número de crentes (ovelhas) fora da igreja (aprisco) é cada vez maior. São crentes sem igreja (denominação), e que continuam sendo crentes (ovelhas) com natureza de ovelha, com lã de ovelha, com leite de ovelha, com cheiro de ovelha, com obediência de ovelha, com voz de ovelha, com pensamento de ovelha. Não aceitam a companhia dos bodes, nem sequer se põem a andar com os lobos, pois a natureza e o caráter delas são bem diferentes.
Quando pensamos em ovelhas pensamos somente nos crentes, mas pastores também entram neste rol, pois existem os pastores de pastores (bispos, apóstolos) que têm a obrigação de cuidar e apascentar o rebanho que é composto de pastores. E o interessante é que se um pastor se perde, se afasta, não em pecado, nem em rebelião, mas, vítima de uma crise, ou por algum problema, é execrado, humilhado e abandonado.
À medida que o pastor tem um rebanho maior, ele já não presta atenção numa ovelhinha em especial, mas nas centenas ou nos milhares delas. Passa a usar gráficos para verificar o rendimento, programas especiais de computadores que identificam onde podem ocorrer falhas, problemas na produção etc.
Vi um programa de televisão relatando sobre um fazendeiro na Suíça que usava da tecnologia a seu favor. A ordenha era toda mecanizada, havia computadores com programas especiais para distribuir as rações, etc., Enquanto as vacas estavam ligadas às máquinas dando de seu leite, ele cantava para as vaquinhas, porque, segundo ele, a música as deixava calmas, ajudando a aumentar a produção do leite.
Fiquei pensando em nós os pastores da era digital, que dispomos de recursos tecnológicos como notebooks, celulares, softwares especiais, etc. Calculamos quanto cada ovelha produzirá de lã e leite e como a produção será aumentada. Usamos DVDs, CDs, livros, programas de TV, etc., para treinar nossas ovelhas a produzirem mais e mais e mais, e fazemos cursos para que essas ovelhas possam gerar outras ovelhas com qualidade, mas, quando uma única ovelha se perde ou se afasta, a própria tecnologia a dispensa do rol dos membros.
Jesus disse que o bom pastor conhece suas ovelhas e dá a sua vida por elas. Estas, por sua vez conhecem o seu pastor e ouvem a sua voz (João 10.4,11,14). Não seguem o desconhecido porque não conhecem a sua voz.
Isso nos diz muito. Quantas ovelhas querem ouvir a voz do seu pastor. Quantos querem ser cuidadas, e, por não conseguirem isso – porque seu pastor está muito ocupado ou porque ele não liga mesmo pra nenhuma, delas – se afastam. Mas, continuam a não ouvir a voz de nenhum outro pastor. Elas querem o seu pastor!
Jesus é o nosso bom pastor e ele nunca nos abandona. Sempre nos conduz em triunfo e nos faz crescer nas adversidades. Ele nunca está ocupado demais para nos atender, para nos ajudar, para nos tirar de algum problema.
Tenho parado para pensar em muitas coisas concernentes ao Reino de Deus, mas uma delas tem me inquietado e quero compartilhar com você:
Jesus é o nosso exemplo, precisamos ser seus imitadores. Muito bem, Ele esteve aqui na terra e durante o tempo do seu ministério falou a muitas pessoas e fez muitos milagres. Gerou 12 discípulos e os treinou muito bem. Sabemos que viveu entre nós, com a natureza divina, mas num corpo humano cheio de limitações. Então, após dar instruções aos discípulos partiu, e depois derramou do seu Espírito Santo. Assim a missão que ele dera antes de partir poderia ser executada: ir as nações e fazer discípulos. Para que? Para que esses discípulos fossem fazer outros discípulos.
Então eu pergunto: Por que há pastores que não imitam a Jesus e querem fazer tudo sozinhos? Compram aviões à jato para irem a mais lugares, usam a televisão para irem a outros lugares e é uma corrida desenfreada, com uma sensação de estarem sempre muito ocupados e de serem muito importantes. Geram discípulos, ou ovelhas, mas estão tão ocupados vendo seus mapas orçamentais, seus gráficos, fazendo análises, gerando outros gráficos para que no final suas ovelhas se percam; fiquem atordoadas, sem saber para onde ir, esperando que o seu pastor venha ajudá-las. Querem ouvir sua voz, querem ser acudidas por ele, mas infelizmente o seu pastor está tão ocupado que não as ouve nem as vê.
Por que esses mesmos pastores não delegam, como Jesus delegou? Por que não espalham seus discípulos para os mais diversos lugares, levando a mensagem do Reino de Deus? Exatamente porque a visão que esses homens têm é visão de homens e não de Deus. Ora, os que tiveram a visão precisam ir a todos os lugares para se certificarem de que sua visão está sendo implantada.
Alguns de nós pastores mudaram o ministério, deixando de ser uma voz profética para ser a voz de um gestor. A profissionalização do pastorado deu lugar a uma turba de gestores e de administradores, não do rebanho, mas das empresas que se tornaram as igrejas. Os pastores se tornaram impessoais, distantes, e não têm tempo para cuidar das ovelhas perdidas, afinal sempre há novos territórios a serem conquistados.
Um dos aspectos básicos de liderança é o cuidar daqueles que lhe são submissos. Todos os membros da equipe são importantes e merecem serem cuidados.
É interessante lembrar um exemplo que qualquer líder usa: Toda equipe é como uma parede e seus membros são os tijolos, existem as colunas e os pilares de sustentação, mas se um tijolo for tirado fica um buraco na parede, que qualquer um perceberá. É diferente de uma pilha de tijolos onde qualquer um pode tirar um tijolo e dificilmente será notado.
Na prática, a todo tempo, tijolos estão sendo tirados da parede e ninguém nota. Sabem quando perceberão a ausência dos tijolos? Quando toda a parede vier abaixo, ou mesmo, todo o prédio virar escombros.
Por todos os lados ouve-se um grande clamor, ovelhas clamam pelo pastor, querem ouvir a voz do seu pastor.
Mas que voz é essa?
É a voz de alguém que deixou tudo por amor a Jesus e ao Evangelho; de alguém que prefere a obscuridade aos holofotes; é a voz de alguém que passa muito tempo em oração, e, apesar de não saberem usar de palavras persuasivas, hipnotizantes, nem de possuírem sabedoria humana, demonstram o poder do Espírito Santo. Essa voz procura sempre enfatizar a Cristo e sua obra na cruz, a redenção pelo seu sangue, a sua graça o seu amor, mas nunca se esquece da justiça de Deus. O dono dessa voz é alguém que busca ajuntar tesouros no céu e não aqui na terra. É alguém que entrega a glória ao seu verdadeiro dono e não se coloca como um libertador.
Hoje o que se vê é uma grande rotatividade de ovelhas, e têm-se a impressão de que o aprisco está sempre cheio, e por isso os pastores não se preocupam mais em ir atrás das ovelhas perdidas. Como há sempre ovelhas chegando e essas também produzem lã e leite aumentando a produção, fica a sensação de que tudo está bem e de que o trabalho está sendo bem feito, mas, se usarmos uma lente e observarmos com muito cuidado veremos que as ovelhas estão cheias de carrapichos, sujeiras, gravetos, etc.
Pastores, não se esqueçam de que vocês darão conta de cada uma de suas ovelhas, e que devem pastorear com alegria e não gemendo (Hb 13.17).
Vocês amam o Senhor? Então apascentem as suas ovelhas (Jo 21.17).
Concluo com estas palavras:
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho” (At 20.28-29).
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe 5.2-3).
Felizmente as ovelhas-pessoas, diferentemente das ovelhas-animais podem escolher a quem ouvir; não precisam permanecer feridas, sofrendo, e, portanto, saem à procura de alguém que os ouça!
Alguns paipóstolos, apóstolos, bispos e gestores acreditam que os que saíram do seu aprisco são rebeldes e amaldiçoados. Mas, felizmente, este conceito vem caindo por terra, pois à medida que o conhecimento de Deus e da sua palavra aumenta, o critério de seleção fica também mais apurado.
Nós temos liberdade de escolha e podemos definir a quem queremos ouvir.
Roberto L. Summer declarou: A chave de uma igreja inflamada: “o homem de Deus”. Mas qual é a causa da quase universal frieza e falta de poder nas nossas igrejas de hoje? A resposta, está na frieza e esterilidade da média dos pastores e evangelistas.
O Dr. Porter afirma que, na maior parte dos casos de avivamentos fracassados, a causa do fracasso foi o ministro. Um ministério inflamado gera uma igreja inflamada, da mesma maneira um ministro de coração frio gera uma congregação regelada.
Não é necessário que se tenha talento, que a pessoa seja excelente em todos os aspectos, que seja dotado de personalidade excepcional ou que tenha língua fluente, pois nesses setores Deus pode mais do que suprir as deficiências, porém, uma qualidade que se requer é que o homem que Deus usa tem de ser puro (Santidade). Cada vez que o pregador se levanta para proclamar as riquezas insondáveis de Cristo, existe forte possibilidade de que irá entregar a mensagem de Deus a alguma alma pela última vez aquém da eternidade. O pastor precisa ter a certeza de que é um homem de Deus com a mensagem de Deus! E isso será determinado em parte pela vida que ele vive.
Portanto, já que temos de escolher, que sejamos ovelhas de um pastor puro, santo, que proclama as riquezas insondáveis de Cristo, com amor, mas sem medo de confrontar os que o ouvem. Alguém que tem muito amor por Cristo e pelo seu evangelho! Com certeza tal pastor não está querendo aumentar o seu reino particular nem difundir sua visão pessoal.
“O principal requisito de um missionário não é, como temos ouvido tantas vezes, ter paixão pelos perdidos, mas ter amor por Cristo”. Vance Havner

http://www.creio.com.br/2008/lideranca01.asp?noticia=597

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